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14 de março de 2010


SOSSEGA CORAÇÃO


Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.


(Fernando Pessoa, 2-8-1933. )

13 de março de 2010


AMOR PERFEITO


Vontade louca
Louca vontade
De nada fazer
Apenas olhar você
Aqui estirado e entregue
Com seu olhar sedutor
Implorando amor
Com a palavra na ponta da língua
Querendo algo dizer
Mesmo sem entender
Que nada precisa ser dito
Apenas feito
E muito bem feito

Amor perfeito
Desejo e sedução
Palavras não ditas
Transformada em poesia
Poetisando nosso momento
Que se eterniza nos versos
Que agora invento
E apaixonada te ofereço


(Vera Helena)
Vitória/ES - Em 13/03/10 -

17 de fevereiro de 2010


ARREBATADORA


Água que desliza
Rompendo barreiras
Nada sorrateira
Arebatadora paixão
Que domina sentidos e vida
Sem dominador e dominado
Seres envolvidos em paixão
Apenas...que se amam
E se dão inteiros na relação


(Vera Helena)
Vitória/ES -Em 13/02/10 -

RENDA-ME

Entra-me
Adentra-me
Descubra-me
Me vire pelo avesso
Renda-me
Prenda-me
Conquista-me
Apaixone-me
Ama-me
Entregue-me o seu melhor
Doa-me sem limite
Sem regras
Sem trégua
Coração tresloucado
Na loucura sufragado
Náufrago da paixão
Que toma e dispõe
Quem se habilita viver
Na noite te busco
Noite sem lua...
(Vera Helena)
Vitória/ES -Em 13/02/10 -

Sangrilégio (1970)

(Raul Seixas)


Eu acordo de madrugada
Eu acordo com quase nada
Areei meus dentes
Penteei os cabelos
Enxaguei meu rosto inchado
Me armei da 007
Me meti no paletó
Quase me enforquei no nó
Da minha gravata
Um beijo na minha mulher
E dezessete beijos e meio
Um em cada filho meu
Meninada que eu tenho estima e afeição
Eu sou bancário
Meu banco é de sangue
Eu sou bancário
Os olhos de Drácula
Pousam sobre mim
Firme , na escuta do PBX.



EU NÃO...

Eu não frevo
Eu fervo
De paixão
De tesão
Comichão
Caio ao chão
Eu nego
Esta paixão
Renego coração
Não nego algo então
Pego com a mão
Forço e torço
Retorço e peço
Reforço
Estou até o pescoço
Que faço então
Com esta questão
Que é só interrogação?
Dançar o carnaval?
Beijar na boca
Fazer algo de anormal
Algum tipo de loucura
Sem censura
Nem lisuras
Fazer figura
Na noite escura
Magia pura
Não sei não
Então fervo
Danço o frevo
E frevando assim
Esqueço de ti
De mim...
Esqueço.
(Vera Helena)

Vitória/ES –Em 12/02/10 -

FAZ DE MIM

Sou cachoeira que transborda
Enquanto sua mão borda em mim
Prazeres alucinantes
Faz eternidade meu instante
Faz meu corpo viajante
Sua nave a navegar
Faz de mim estrela cintilante


Com suas mãos a me tocar
Quando se faz amante
Me leva a terras distantes
Num desejo inconstante
Pra não querer mais voltar

(Vera Helena)

Vitória/ES –Em 13/02/10 -

DEVER DE SONHAR


Eu tenho uma espécie de dever,
dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.


(Fernando Pessoa)

NO ESPELHO
(Raul Seixas)

Às vezes quando me olho no espelho
Sinto medo.
Medo de mim.
Eu não me conheço
Sou esquisito, sou humano
Uso óculos, como, bebo, fumo
Defeco
Mijo
Olho-me no espelho
E esse dá-me de volta quem sou.
Eu rio. Alto.
Assustado e engraçado
Duas longas coisas saindo do corpo:
São braços, pêlos, peles, nariz pontiagudo
Duas orelhas presas na cabeça
Olho os dedos.
Meus olhos me assustam
Falo, sinto emoções e tomo cerveja
Ridícula coisa ali em pé frente ao espelho
Eu me vejo de fora.
Faço abstração mental de que eu nunca vi
Um ser humano e me vejo.
É esquisito.
É realmente esquisito.
Procuro-me no espelho
E não me acho.
Só vejo aquilo ali.
Parado.
Um monte de carnes equilibradas
por ossos duros que me mantêm em pé.
Ali.
No espelho.
Eu sei que não sou aquilo
E o que eu sou, o espelho não pode
me mostrar...
AINDA... eu não brilho...
Ainda...

8 de fevereiro de 2010














CORPO POESIA

28 de dezembro de 2009

KAFKA OU FREUD EXPLICA?

Sou barata...
Sou nada....
Metamorfose...
Kafka explica...
Não complica este momento meu...
Resiste...
Resisto
Existo...
Penso...e explico o que acontece
Faço uma prece
Prá alcançar a lucidez
Um dia quem sabe...
Chega e eu alcanço...
mas no momento...me canso
E nem quero buscar...
Nada explicar.

E não preciso mais
Gritar os meus ais
Nas noites insanas
Inglórias
Profanas...

Metamorfoseio_o que sou
Renascendo além do flish
Do veneno que mata...
A barata...
Mata também quem mata...
Quem cheira...
Inala...e inspira...
Noite que pira...
Piração sem inspiração
Nem ação te induz...
Carrega sua cruz...
Hoje está pesada...
Amanhã o fardo é leve...
Que te leve a esperança...
Te embale em sonhos
Amanhã você acorda...
Tira a mordaça
Liberta o Ego
Aprisona o Superego
O Id solto grita...
E volta a ser você.
Kafka não mais explica..
Mas quem sabe Freud....

(Vera Helena)
Vitória/ES -Em 04/04/09 -

O DRAMA DE NARCISO

O DRAMA DE NARCISO

Narciso acha feio o que não é espelho
Mas o espelho não reflete o que Narciso é.
Narciso se ama...se adora... se endeusa
E entra dentro de si

Narciso é o reflexo do outro
Narciso beija em outro
Seu corpo...seus seios...seu sexo
E se reflete no espelho
que mostra o outro que não é Narciso,
Mas é o seu reflexo no espelho
Narciso e o outro são um só...

Mas Narciso não é o outro
E sim é ele refletido no outro através do espelho
E o outro não é Narciso
E sim a sombra do que Narciso pensa que é...

Nesse enígma e drama
O destino contra Narciso trama...
Nessa busca de si Narciso se perde...
Se joga...se afoga...e morre...
Narciso quer alcançar o que está refletido no espelho
Mas também não admite que tenha outro igual a si
Narciso quis ultrapassar o portal
E encontrar a si próprio em outra dimensão...
Porque ninguém resiste à revelação de se conhecer por dentro.

Vera Helena

AMÉM, AMEM, AMEM-SE

AMÉM, AMEM, AMEM-SE

Sou o espelho estilhaçado
Onde me vejo em mil pedaços
Coração transfigurado
Rosto sem expressão...
Expressa sim...desilusão
Frustração...

Sou a brisa forte que bate no rosto
E aos poucos vira tempestade
Inunda a cidade
Afoga corpos
Sufoca gritos...
Sussurros e gemidos
Em louco frenesi

Sou o vidro da vidraça
Que a bola quebrou
A bola rola...
O mundo explode...
Deu bode!!!
Deu zebra no jogo
E no jogo de bicho???
Que bicho deu???
Cala a boca Zebedeu...
Você não sabe...nem eu...

Foi tudo ilusão de um sonho inacabado
Tentaram fazer acreditar que a felicidade existe
Na televisão mostram gente feliz...belos sorrisos
E os dendentados???
O que a mídia não mostra...
Esconde...as mortes..os fuzis...as carabinas
Meninas que trocam...
Dinheiro por sexo..triste sina
Meninos que não têm bola...têm bala
E atiram...
É revolta...
É mar revolto
Dentro de mim...de você...de nós...
E aí vamos ficar parados???
Esperando o quê???
O avião explodir???
O míssel apitar...
A bomba atômica...que tudo desfigura...
Está escondida..em panos encardidos...
Roubando os sonhos...
Roubando o sono
De quem não quer a guerra...

E você o que quer????
Responda se puder...
Porque eu não sei...
Só sei que nada sei...
Só não quero ser rei...
Rainha talvez...
De copas..de ouro,...de outro...
As cartas na mesa...
Tudo na mesa...
Nada na mente...
Momento de loucura
A candura expressa
Vida dura...lanchonete
chiclete..não ocm banana...
Com aveia talvez...
Faz bem pra saude...
Se cuide...
Mente sana in corpoere sano
E os anjos dizem AMÉM...
Eu digo AMEM...
AMEM-SE...
(Vera Helena)

Vitória/Es -Em 22/02/09 -